quinta-feira, 30 de junho de 2011

Significados e tendências da economia solidária

Significados e tendências da economia solidária

Luiz Inácio Gaiger[1]
Professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e coordenador da pesquisa (e-mail: gaiger@helios.unisinos.br). Colaboraram com esse texto, de forma direta, os responsáveis pelos relatórios parciais de alguns estados: Aécio Alves de Oliveira (Ceará) e Ana Mercedez Sarria Icaza (Rio Grande do Sul). Agradeço a eles, às suas equipes e aos demais membros do GT da Unitrabalho.


Para quem observa com atenção e interesse a realidade sociaL do país, é cada vez mais perceptível o crescimento e a expansão das iniciativas populares de geração de trabalho e renda, baseadas na livre associação de trabalhadores e nos princípios de autogestão e cooperação. O termo economia popular solidária, utilizado para designar esse novo fenômeno, encobre uma realidade bastante diversificada e suscita um conjunto importante de questões teóricas e políticas.
Sabe-se, por exemplo, que as atividades econômicas desses empreendimentos abrangem diferentes setores produtivos, envolvem categorias sociais as mais diversas – muitas vezes mescladas – e comportam distintas formas de organização: de grupos informais e pequenas associações a cooperativas e empresas de médio e pequeno porte. Além disso, suas origens repousam ás vezes em laços familiares ou vínculos comunitários de longa tradição, enquanto há casos em que se formaram pela luta coletiva de operários e de trabalhadores rurais, dentro de mobilizações mais amplas e de clara conotação política.
É suficiente lembrarmos das inúmeras associações rurais espalhadas em varias regiões do país, da multiplicação dos grupos coletivos de produção nos assentamentos da reforma agrária ou, ainda, das dezenas de empresas autogestionárias, formadas pelos trabalhadores anteriormente empregados em empresas que entraram em falência.
Não é de hoje que o solidarismo econômico é utilizado como recurso pelos trabalhadores. Formas comunitárias e autogestionárias de organizar a produção e o consumo existem há bastante tempo. No entanto, o que se percebe atualmente é que poderíamos estar diante da germinação de formas de economia alternativa , por se distinguirem da lógica mercantil capitalista, e de alternativas econômicas para os trabalhadores, por se tratarem de empreendimentos variáveis, ou seja, capazes de assegurar sua auto-sustentação e sua perdurância social.
Realidades novas, dentro de conjunturas em que  se torna premente encontrar opções para o futuro dos trabalhadores, podem ser enganosamente sedutoras e levar a uma visão excessivamente otimista. Mais do que nunca, é necessário prudência e cautela, no sentido de conhecermos melhor os fatos e então, propor hipóteses devidamente fundamentadas que ajudem a explorar as potencialidades desse novo campo e, quando possível, alargar as suas chances de desenvolvimento. Pela mesma razão, não se pode desconhecer suas ambigüidades e contradições, alem dos interesses contrários que explicam muitas situações. Sabe-se, por exemplo, da estratégia de muitas empresas privadas, com incentivos governamentais, em plantarem cooperativas de fachada em regiões menos industrializadas, sem tradição operária, como forma de se verem livres de encargos sociais e da resistência dos trabalhadores mais organizados. Ocorre então, para os sócios arregimentados dessas falsas cooperativas, um retrocesso em relação ao assalariamento, e não um processo de emancipação.
Assim, as características da economia popular de solidariedade não estão dadas, mas se apresentam como tendências e potencialidades por vezes divergentes, desenvolvendo-se com maior ou menor intensidade, de acordo com as condições objetivas e subjetivas em que se produz cada uma dessas experiências. Buscar compreender essa realidade emergente significa captar as ambivalências, dificuldades e contradições que tais iniciativas carregam e, por conseguinte, problematizar o próprio conceito de economia solidária.
Por esses motivos, a Rede Interuniversitaria Unitrabalho idealizou uma ampla pesquisa nacional, com o apoio decisivo da Central Única dos Trabalhadores,  a fim de verificar qual é o sentido e quais são as tendências da economia solidária no Brasil, tal como ela se apresenta hoje e para os anos vindouros. Como ponto de partida, considera-se valida a hipótese de que essas novas organizações dos trabalhadores estariam formando agentes propulsores de um novo solidarismo econômico. Como ponto de chegada, deseja-se averiguar as características efetivas desses empreendimentos, especialmente no que diz respeito ao seu fundamento solidário e á sua viabilidade, num ambiente econômico dominado por princípios opostos, de competição e eliminação dos concorrentes. Através da identificação e da análise de um conjunto expressivo de empreendimentos, espalhados no território nacional, a pesquisa tenciona subsidiar a reflexão sobre a natureza e o futuro da economia solidária, do ponto de vista da sua compreensão teórica e do debate político sobre o papel a ser desempenhado pelo sindicalismo, os movimentos sociais, as organizações da sociedade civil e o Estado.

Os empreendimentos econômicos solidários  


Para que possa analisar as organizações de trabalho e renda, comparando a sua natureza e as características, a pesquisa esta utilizando como parâmetro o conceito de empreendimentos econômicos solidários. O conceito é teórico e funciona como uma espécie de modelo que reúne as características ideais de um empreendimento perfeitamente solidário. Na prática, nenhum caso vai corresponder plenamente ao modelo, sendo porém seu objetivo permitir que se observe quais são os traços positivos mais freqüentes das experiências que hoje se destacam, bem como suas principais dificuldades e lacunas, na perspectiva de viabilizarem uma alternativa solidária. 
O conceito é, portanto, uma referência, um instrumento para a analise dos casos concretos. Ao mesmo tempo, ele espelha qual é a idéia de solidarismo econômico popular que está embasando a pesquisa e pode ser, então, como toda visão teórica, igualmente questionado é aprimorado.
Para chegar ao conceito, foram considerados os diversos aspectos que os estudos e análises estão apontando como novos e promissores nas experiências de economia solidária, ao lado do que a prática vem ensinando aos agentes envolvidos nesse campo, a exemplo das incubadoras de cooperativas populares.
Assim, pode-se afirmar que os empreendimentos econômicos solidários (EES) possuem idealmente as seguintes características:

Autogestão: controle da gestão pelo conjunto dos associados e autonomia diante de agentes externos.

Democracia: decisões tomadas pelo conjunto dos associados, por meio de instâncias diretivas livremente formada e eleitas, assegurando-se transparência no exercício da direção e sua fiscalização por órgãos independentes.    

Participação: regularidade e freqüência de reuniões, assembléias e consultas, com elevado grau de comparecimento e mobilização e mecanismos de renovação e alternância dos quadros diretivos.

Igualitarismo: garantido por critérios de remuneração pelo trabalho, por uma divisão eqüitativa dos excedentes e benefícios, pela socialização do capital e pela inexistência de outros regimes de trabalho permanentes para atividades-fim.

Cooperação: responsabilidade partilhada no processo produtivo, relações de confiança e reciprocidade, paridade social entre funções de direção e de execução ou entre tarefas manuais e intelectuais.

Auto-sustentação: atividade produtiva geradora de viabilidade econômico-financeira, sem comprometimento do ambiente social e natural.

Desenvolvimento humano: processos de formação da consciência e de educação integral e iniciativas de qualificação técnica e profissional.

Responsabilidade social: ética solidária socialmente comprometida como melhorias na comunidade e com relações de comércio, troca e intercambio; e praticas geradoras de efeito irradiador e multiplicador.
A pesquisa está em seus primeiros passos. Sendo uma primeira investigação ampla e sistemática, visa fundamentalmente a trazer elementos para estudos posteriores, que possam fazer o aprofundamento que o assunto merece. Por isso, suas metas por enquanto são relativamente modestas: consistem em fazer um levantamento e uma análise preliminar dos empreendimentos solidários no Brasil, em criar um banco de dados permanente sobre a economia solidária, a ser atualizado periodicamente, e em favorecer a formação de parcerias entre universidades, movimentos sociais e outras organizações, no sentido de fortalecer suas ações em benefício do solidarismo popular.     


  Rumo a um novo tipo de economia popular?

Obviamente, por sua formação e sua história política, o setor cooperativista é o mais sujeito à criticas e dúvidas, quanto à natureza e ás finalidades das empresas que abriga. Há que se considerar, no entanto, importantes forças de renovação do cooperativismo, cuja atuação vem gerando estruturas independentes do sistema oficial e, além disso, tensionando as posições de poder e a direção nele dominantes. Um dos casos mais promissores, próximo dessa reflexão, é o interesse e a aproximação do sindicalismo cutista, hoje empenhado em vivo debate e em definir um papel pró-ativo junto aos trabalhadores, no que tange, certamente, ao estímulo para a formação de cooperativas autênticas e, também, à luta pela conquista e correção de rota das cooperativas desvirtuadas ou concebidas de modo fraudulento. Outro exemplo recente, fruto da convergência entre movimentos sociais, entidades civis e instituições de ensino, é a rápida expansão, em diferentes pontos do país, da Rede de Incubadoras Universitárias de Cooperativas Populares. Há mais tempo, sindicatos rurais, entidades comunitárias, igrejas, ongs e movimentos como o MST vêm agindo na mesma direção, sendo, portanto justificado falar de um novo campo cooperativista, popular e democrático.
Esse dinamismo vem sendo reforçado com o envolvimento paulatino de outros agentes e instituições. Contatos preliminares em Minas Gerais, com organizações de referências, acusaram um leque extremamente diversificado, quer em relação aos setores de negócio das associações e cooperativas (produção rural, indústria, comércio, transporte, reciclagem, profissões “liberais”, consultorias e auditorias, etc.), quer no que tange ao perfil das entidades de apoio. Entre essas últimas, é notória no país a afluência de ONGs e os aportes oferecidos por fundações privadas, de cunho empresarial, antes dedicadas apenas à filantropia e à assistência social. Fenômeno ainda dos mais significativos é a multiplicação das linhas de microcrédito, orientadas por conceitos e propósitos similares, com razoável potencial de sustentação dos grupos solidários.
A imersão nessa realidade, sobretudo numa ótica prospectiva, não deixa de suscitar questões. O próprio sindicalismo, em seu processo de discussão, vem levantando problemas pertinentes, de cunho teórico e político, relativos ao papel da economia solidária num novo projeto de desenvolvimento, à possibilidade de manter-se íntegra em suas características, à medida que se massifica, ao seu significado como experiência seminal, para os trabalhadores, no exercício coletivo de (algum) poder econômico, à chance de conduzirem, com seus efeitos motivadores, à superação de um estado de apatia social, e assim por diante (CUT, 1999). No âmbito da pesquisa, a discussão desses temas certamente levará a uma releitura do desenvolvimento histórico da economia moderna, especialmente das inter-relações e das possíveis margens de autonomia entre a economia de mercado, o capitalismo e outras formas de produção e intercâmbio. Do mesmo modo, caberia indagar sobre as relações entre as práticas econômicas de subsistência, o setor informal e as novas experiências ora em gestação. Tampouco poderiam ser esquecidas as incidências dos empreendimentos solidários sobre a vitalização da economia e da vida social nos ambientes onde se estabelecem, evitando-se, todavia, uma percepção excessivamente endógena do desenvolvimento local. Por fim, caberia responder se a economia solidária está destinada a ser um fenômeno meramente reativo, provocado pelas alterações macro-econômicas e delas permanecendo dependente, ou se, ainda tendo essa origem, pode vir a gerar novas condições que a sustentem, num movimento de retro-alimentação capaz de fortalecer progressivamente esse campo e auto determinar sua sobrevivência e expansão, cotejando-o com outros protagonistas, na disputa entre modelos e lógicas de desenvolvimento.
Com vistas a essa questão de magnitude, concluiria essa reflexão evocando algumas constatações de pesquisas, que justificam algum otimismo – no momento atual, é principalmente disto que se trata. Refiro-me, primeiramente, às conclusões parciais de um estudo pormenorizado, acerca das empresas de autogestão e participação acionária aglutinadas pela ANTEAG. Compreendendo nove casos, de diferentes estados e regiões, para fins de avaliar sua viabilidade e sua capacidade de integração tecnológica, competitiva, organizacional e social, a pesquisa identificou alguns fatores relevantes que demarcam a construção social dessas empresas. Entre outros: a importância da cooperação é reconhecida, havendo estímulo e práticas de participação, orientadas para o consenso e a co-responsabilidade; aceitam-se desafios de produção e quotas extras de contribuição, com menor índice de conflitos; há uma disposição para que se proceda a uma equiparação de ganhos, comparativamente à realidade do mercado; valoriza-se o potencial de competência, com acentuada consciência da necessidade de educação de base e de formação profissional; observa-se preocupação com o meio-ambiente; associados à seriedade nas relações com os clientes, a qualidade e o custo de produção tendem a ser tornar vantagens competitivas (Peixoto & Lopes, 1999).
O diferencial demonstrado por essas empresas parece ter, em seu cerne, o mesmo fator identificado em pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul (Gaiger, 1994; Gaiger et alii, 1999), focalizando cooperativas populares de diversos ramos, além de organizações congêneres. Trata-se do ciclo virtuoso propiciado pelo desenvolvimento da autogestão e da cooperação no trabalho. Em outras palavras, a força desses empreendimentos reside em sua capacidade de conciliar, simbioticamente, as relações de trabalho que lhe são próprias com os imperativos de eficiência, de modo que a própria cooperação converta-se em vigamestre de uma nova racionalidade sócio-econômica: o solidarismo empreendedor. Assim sendo, a busca de resultados vale-se das potencialidades do trabalho consorciado, em favor dos próprios produtores e no interesse da sobrevivência do empreendimento.

O solidarismo empreendedor

Ao explorar essa hipótese, os estudos em questão indicaram que o êxito dos empreendimentos econômicos solidários está vinculado a circunstâncias e fatores, cujo efeito positivo decorre proporcionalmente do caráter socialmente cooperativo por eles incorporado. Por seu turno, o solidarismo e a cooperação no trabalho, uma vez assegurados, propiciam fatores particulares de eficiência, funcionando então como vetores específicos da viabilidade e competitividade dos empreendimentos. Os resultados econômicos e sociais alcançados, ademais, demonstram que tais iniciativas apresentam sinais consistentes de viabilidade e tendem ou podem evoluir para sua auto-sustentação. Finalmente, evidencia-se que a realização exitosa dos objetivos dos empreendimentos solidários não impõe mecanismos de exploração dos trabalhadores, conferindo-lhes uma natureza distinta do processo de produção capitalista.
Nesse particular, o trunfo maior das empresas autogeridas, subjacente às vantagens que apresentam, reside, em última instância, na ruptura que estabelecem com as relações sociais e a lógica capitalista de produção de mercadorias. Ao suprimirem a separação entre os trabalhadores e os meios de produção, ao assim eliminarem a apropriação privada e desfazerem o antagonismo entre o capital e o trabalho, ganham a possibilidade de superar o caráter alienante e descartável da atividade produtiva. Com isso, assumem um novo patamar de satisfação, atendendo a aspirações não apenas materiais ou monetárias, voltando-se à humanização das relações, no trabalho e na vida.
Os empreendimentos inovam, em seu âmbito interno e em seus vínculos mútuos, as relações que definem o processo social de trabalho. Nessa medida, contêm e desenvolvem, em seu seio, uma nova forma social de produção (Godelier, 1981). A perspectiva está em que esse novo arranjo do processo de trabalho e dos fatores produtivos, distinto da forma assalariada capitalista, venha a perdurar no atual ambiente econômico, sem perder as suas características. Quando se constata que a forma social solidária otimiza os fatores de rentabilidade que encontra na base técnica moderna e, além disso, renova o conteúdo material do processo de trabalho e passa a gerar novas forças produtivas, materiais e intelectuais, adaptadas às suas especificidades (as “tecnologias alternativas” e novos métodos gerenciais, por exemplo), essas chances crescem. As relações que então se estabelecem com o capital, desse ponto de vista, se não adquirem o sentido de superação deste último, apontam para a possibilidade de crescimento e consolidação de um novo campo de práticas econômicas.


[1] Gaiger, Luiz Inácio. Significados e tendências da economia solidária. In Sindicalismo e Economia Solidária.Reflexões sobre o projeto da CUT.1999.

sábado, 25 de junho de 2011

A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER

A importância do ato de ler (*)
Paulo Freire
“Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que se movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia – e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, e no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores. A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço – o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto – em cuja percepção me experimentava e, quanto mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber – se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros – o do sanhaçu, o do olho-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras”, daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores – das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada, o verde da manga-espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. A relação entre estas cores, o desenvolvimento do fruto, a sua resistência à nossa manipulação e o seu gosto. Foi nesse tempo, possivelmente, que eu, fazendo e vendo fazer, aprendi a significação da ação de amolegar.
Daquele contexto faziam parte igualmente os animais – os gatos da família, a sua maneira manhosa de enroscar-se nas pernas da gente, o seu miado, de súplica ou de raiva; Joli, o velho cachorro negro de meu pai, o seu mau humor, toda vez que um dos gatos incautamente se aproximava demasiado do lugar em que se achava comendo e que era seu – “estado de espírito”, o de Joli, em tais momentos, completamente diferente do de quando quase desportivamente perseguia, acuava e matava um dos muitos timbus responsáveis pelo sumiço de gordas galinhas de minha avó.
Daquele contexto – o do meu mundo imediato – fazia parte, por outro lado, o universo da linguagem dos mais velhos, expressando as suas crenças, os seus gostos, os seus receios, os seus valores. Tudo isso ligado a contextos mais amplos que o do mundo imediato e de cuja existência eu não podia sequer suspeitar.
No esforço de re-tomar a infância distante, a que já me referi, buscando a compreensão do meu ato de ler o mundo particular em que me movia, permitam-me repetir, re-crio, re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. E algo que me parece importante, no contexto geral de que venho falando, emerge agora insinuando a sua presença no corpo destas reflexões. Me refiro a meu medo das almas penadas cuja presença entre nós era permanente objeto das conversas dos mais velhos, no tempo de minha infância. As almas penadas precisavam da escuridão ou da semi-escuridão para aparecer, das formas mais diversas – gemendo a dor de suas culpas, gargalhando zombeteiramente, pedindo orações ou indicando esconderijos de botijas. Ora, até possivelmente os meus sete anos, o bairro do Recife onde nasci era iluminado por lampiões que se perfilavam, com certa dignidade, pelas ruas. Lampiões elegantes que, ao cair da noite, se “davam” à vara mágica de seus acendedores. Eu costumava acompanhar, do portão de minha casa, de longe, a figura magra do “acendedor de lampiões” de minha rua, que vinha vindo, andar ritmado, vara iluminadora ao ombro, de lampião a lampião, dando luz à rua. Uma luz precária, mais precária do que a que tínhamos dentro de casa. Uma luz muito mais tomada pelas sombras do que iluminadora delas.
Não havia melhor clima para peraltices das almas do que aquele. Me lembro das noites em que, envolvido no meu próprio medo, esperava que o tempo passasse, que a noite se fosse, que a madrugada semiclareada viesse chegando, trazendo com ela o canto dos passarinhos “manhecedores”.
Os meus temores noturnos terminaram por me aguçar, nas manhãs abertas, a percepção de um sem-número de ruídos que se perdiam na claridade e na algazarra dos dias e que eram misteriosamente sublinhados no silêncio fundo das noites.
Na medida, porém, em que me fui tornando íntimo do meu mundo, em que melhor o percebia e o entendia na “leitura” que dele ia fazendo, os meus temores iam diminuindo.
Mas, é importante dizer, a “leitura” do meu mundo, que me foi sempre fundamental, não fez de mim um menino antecipado em homem, um racionalista de calças curtas. A curiosidade do menino não iria distorcer-se pelo simples fato de ser exercida, no que fui mais ajudado do que desajudado por meus pais. E foi com eles, precisamente, em certo momento dessa rica experiência de compreensão do mundo imediato, sem que tal compreensão tivesse dignificado malquerenças ao que ele tinha de encantadoramente misterioso, que eu comecei a ser introduzido na leitura da palavra. A decifração da palavra fluía naturalmente da “leitura” do mundo particular. Não era algo que se estivesse dando superpostamente a ele. Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, co palavras do meu mundo e não do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz.
Por isso é que, ao chegar à escolinha particular de Eunice Vasconcelos, cujo desaparecimento recente me feriu e me doeu, e a quem presto agora uma homenagem sentida, já estava alfabetizado. Eunice continuou e aprofundou o trabalho de meus pais. Com ela, a leitura da palavra, da frase, da sentença, jamais significou uma ruptura com a “leitura” do mundo. Com ela, a leitura da palavra foi a leitura da “palavramundo”.
Há pouco tempo, com profunda emoção, visitei a casa onde nasci. Pisei o mesmo chão em que me pus de pé, andei, corri, falei e aprendi a ler. O mesmo mundo – primeiro mundo que se deu à minha compreensão pela “leitura” que dele fui fazendo. Lá, re-encontrei algumas das árvores da minha infância. Reconheci-as sem dificuldade. Quase abracei os grossos troncos – os jovens troncos de minha infância. Então, uma saudade que eu costumo chamar de mansa ou de bem comportada, saindo do chão, das árvores, da casa, me envolveu cuidadosamente. Deixei a casa contente, com a alegria de quem re-encontra gente querida.
Continuando neste esforço de “re-ler” momentos fundamentais de experiências de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo através de sua prática, retomo o tempo em que, como aluno do chamado curso ginasial, me experimentei na percepção crítica dos textos que lia em classe, com a colaboração, até hoje recordada, do meu então professor de língua portuguesa.
Não eram, porém, aqueles momentos puros exercícios de que resultasse um simples dar-nos conta da existência de uma página escrita diante de nós que devesse ser cadenciada, mecânica e enfadonhamente “soletrada”, em vez de realmente lida. Não eram aqueles momentos “lições de leitura”, no sentido tradicional desta expressão. Eram momentos em que os textos se ofereciam à nossa inquieta procura, incluindo a do então jovem professor José Pessoa. Algum tempo depois, como professor também de português, nos meus vinte anos, vivi intensamente a importância do ato de ler e de escrever, no fundo indicotomizáveis, com alunos das primeiras séries do então chamado curso ginasial. A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo isso, pelo contrário, era proposta à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo dos textos, ora de autores que estudávamos ora deles próprios, como objetos a ser desvelados e não como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só apreendendo-a seriam capazes de saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de um objeto e feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura nem dela, portanto, resulta o conhecimento do objeto de que o texto fala.
Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em que os estudantes “leiam”, num semestre, um sem-número de capítulos de livros, reside na compreensão errônea que às vezes temos do ato de ler. Em minha andarilhagem pelo mundo, não foram poucas as vezes em que jovens estudantes me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias a ser muito mais “devoradas” do que realmente lidas ou estudadas. Verdadeiras “lições de leitura” no sentido mais tradicional desta expressão, a que se achavam submetidos em nome de sua formação científica e de que deviam prestas contas através do famoso controle de leitura. Em algumas vezes cheguei mesmo a ler, em relações bibliográficas, indicações em torno de que páginas deste ou daquele capítulo de tal ou qual livro deveriam ser lidas: “Da página 15 à 37”.
A insistência na quantidade de leituras sem o devido adentramento dos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada desde outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não, com a quantidade de páginas escritas. No entanto, um dos documentos filosóficos mais importantes de que dispomos, As teses sobre Feuerbach, de Marx, tem apenas duas páginas e meia…
Parece importante, contudo, para evitar uma compreensão errônea do que estou afirmando, sublinhar que a minha crítica à magicização da palavra não significa, de maneira alguma, uma posição pouco responsável da minha parte com relação à necessidade que temos educadores e educandos de ler, sempre e seriamente, de ler os clássicos neste ou naquele campo do saber, de nos adentrarmos nos textos, de criar uma disciplina intelectual, sem a qual inviabilizamos a nossa prática de professores e estudantes.
Dentro ainda do momento bastante rico de minha experiência como professor de língua portuguesa, me lembro, tão vivamente quanto se ela fosse de agora e não de um ontem bem remoto, das vezes em que me demorava na análise de textos de Gilberto Freyre, de Lins do Rego, de Graciliano Ramos, de Jorge Amado. Textos que eu levava de casa e que ia lendo com os estudantes, sublinhando aspectos de sua sintaxe estritamente ligados ao bom gosto de sua linguagem. Àquelas análises juntava comentários em torno de necessárias diferenças entre o português de Portugal e o português do Brasil.
Venho tentando deixar claro, neste trabalho em torno da importância do ato de ler – e não é demasiado repetir agora -, que meu esforço fundamental vem sendo o de explicitar como, em mim, aquela importância vem sendo destacada. É como se eu estivesse fazendo uma “arqueologia” de minha compreensão do complexo ato de ler, ao longo de minha experiência existencial. Daí que eu tenha falado de momentos de minha infância, de minha adolescência, dos começos de minha mocidade e termine agora re-vendo, em traços gerais, alguns dos aspectos centrais da proposta que fiz no campo da alfabetização de adultos há alguns anos.
Inicialmente me parece interessante reafirmar que sempre vi a alfabetização de adultos como um ato político e um ato de conhecimento, por isso mesmo, como um ato criador. Para mim seria impossível engajar-me num trabalho de memorização mecânica dos ba-be-bi-bo-bu, dos la-le-li-lo-lu. Daí que também não pudesse reduzir a alfabetização ao ensino puro da palavra, das sílabas ou das letras. Ensino em cujo processo o alfabetizador fosse “enchendo” com suas palavras as cabeças supostamente “vazias” dos alfabetizandos. Pelo contrário, enquanto ato de conhecimento e ato criador, o processo de alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito. O fato de ele necessitar da ajuda do educador, como ocorre em qualquer relação pedagógica, não significa dever a ajuda do educador anular a sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem escrita e na leitura desta linguagem. Na verdade, tanto o alfabetizador quanto o alfabetizando, ao pegarem, por exemplo, um objeto, como faço agora com o que tenho entre os dedos, sentem o objeto, percebem o objeto sentido e são capazes de expressar verbalmente o objeto sentido e percebido. Como eu, o analfabeto é capaz de sentir a caneta, de perceber a caneta, de dizer caneta, mas também de escrever caneta e, conseqüentemente, de ler caneta. A alfabetização é a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral. Esta montagem não pode ser feita pelo educador para ou sobre o alfabetizando. Aí tem ele um momento de sua tarefa criadora.
Creio desnecessário me alongar mais, aqui e agora, sobre o que tenho desenvolvido, em diferentes momentos, a propósito da complexidade deste processo. A um ponto, porém, referido várias vezes neste texto, gostaria de voltar, pela significação que tem para a compreensão crítica do ato de ler e, conseqüentemente, para a proposta de alfabetização a que me consagrei. Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele. Na proposta a que me referi acima, este movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo está sempre presente. Movimento em que a palavra dita flui do mundo mesmo através da leitura que dele fazemos. De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente.
Este movimento dinâmico é um dos aspectos centrais, para mim, do processo de alfabetização. Daí que sempre tenha insistido em que as palavras com que organizar o programa de alfabetização deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando a sua real linguagem, os seus anseios, as suas inquietações, as suas reivindicações, os seus sonhos. Deveriam vir carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador. A pesquisa do que chamava de universo vocabular nos dava assim as palavras do Povo, grávidas de mundo. Elas nos vinham através da leitura do mundo que os grupos populares faziam. Depois, voltavam a eles, inseridas no que chamava e chamo de codificações, que são representações da realidade.
A palavra tijolo, por exemplo, se inseriria numa representação pictórica, a de um grupo de pedreiros, por exemplo, construindo uma casa. Mas, antes da devolução, em forma escrita, da palavra oral dos grupos populares, a eles, para o processo de sua apreensão e não de sua memorização mecânica, costumávamos desafiar os alfabetizandos com um conjunto de situações codificadas de cuja descodificação ou “leitura” resultava a percepção crítica do que é cultura, pela compreensão da prática ou do trabalho humano, transformador do mundo. No fundo, esse conjunto de representações de situações concretas possibilitava aos grupos populares uma “leitura” da “leitura” anterior do mundo, antes da leitura da palavra.
Esta “leitura” mais crítica da “leitura” anterior menos crítica do mundo possibilitava aos grupos populares, às vezes em posição fatalista em face das injustiças, uma compreensão diferente da sua indigência.
É neste sentido que a leitura crítica da realidade, dando-se num processo de alfabetização ou não e associada sobretudo a certas práticas claramente políticas de mobilização e de organização, pode constituir-se num instrumento para o que Gramsci chamaria de ação contra-hegemônica.
Concluindo estas reflexões em torno da importância do ato de ler, que implica sempre percepção crítica, interpretação e “re-escrita” do lido, gostaria de dizer que, depois, de hesitar um pouco, resolvi adotar o procedimento que usei no tratamento do tema, em consonância com a minha forma de ser e com o que posso fazer.”
(*) Trabalho apresentado na abertura no Congresso Brasileiro de Leitura, realizado em Campinas, nov. 1981.
Download do livro que além do texto “A importância do ato de ler” trás também “Alfabetização de adultos e bibliotecas populares – uma introdução” e “O povo diz sua palavra ou a alfabetização em São Tomé e Príncipe”.
FONTE:http://oucomesmoedai.wordpress.com/2007/04/21/50/

quinta-feira, 23 de junho de 2011

LIVROS DE PAULO FREIRE PARA BAIXAR

Livros de Paulo Freire
desbloqueados para impressão
 O site Biblioteca da Floresta disponibilizou para download, como pdf e possibilitando a impressão, preciosidades de Paulo Freire. São livros importantíssimos deste pensador comprometido profundamente com as causas sociais.

Ação Cultural para a Liberdade
Extensão ou Comunicação
Medo e Ousadia
Pedagogia da Autonomia
Pedagogia da Indignação
Pedagogia do Oprimido
Professora sim, Tia não

Almanaque Brasil Socioambiental está disponível para download

A segunda edição do almanaque, lançada no final de 2007 pelo ISA, esgotou e agora está disponível para download. Em linguagem acessível, com fotos, imagens e gráficos, a publicação apresenta um panorama atualizado dos ambientes brasileiros e das grandes questões socioambientais da Terra. O aquecimento global e as mudanças climáticas são o destaque, e é a contribuição do ISA para aguçar a consciência planetária sobre os modelos insustentáveis de produção e consumo que estão por trás da atual crise ambiental em que vivemos.

Com 552 páginas, dez ensaios fotográficos e 85 verbetes, o Almanaque Brasil Socioambiental 2008 está disponível para download.
Assim como em sua primeira edição, de 2005, traz um panorama atualizado dos ambientes brasileiros – Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Pampa e Zona Costeira -, aborda as grandes questões socioambientais contemporâneas, e tem capítulos específicos sobre Diversidade Socioambiental, Florestas, Cidades, Água, Terras, Recursos Energéticos e Minerais e Modelos de Desenvolvimento. Contém ainda um capítulo inteiro sobre Mudanças Climáticas. O tema permeia toda a publicação, que traz informações específicas sobre as ameaças que as alterações no clima representam para cada região do Brasil a partir de cenários pessimistas ou otimistas, seus efeitos sobre o planeta, a relação do Brasil com o aquecimento global, o papel das florestas na regulação do clima, e quais os desafios que se colocam daqui para frente, no Brasil e no mundo.
Cartões-postais brasileiros ameaçados revelando a situação de paisagens, regiões ou lugares do País que vêm sendo afetados por grandes obras, poluição, desmatamento ou descaso também integram a publicação. Os textos foram produzidos por 122 colaboradores, entre jornalistas, ativistas e especialistas das mais diferentes áreas. Um mapa-pôster destaca os efeitos da ação humana sobre o território brasileiro.

ISA, Instituto Socioambiental.

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3266

LIVRO - Indicadores de Sustentabilidade

Indicadores de Nações - Uma contribuição ao diálogo da Sustentabilidade

A publicação é a segunda da trilogia Gestão do Conhecimento – Compêndio de Ferramentas de Gestão de Responsabilidade Socioambiental, que reúne ferramentas de gestão de responsabilidade social empresarial de 33 países das Américas e da Europa.
 
Fonte: http://www.portalodm.com.br/indicadores-de-nacoes-uma-contribuicao-ao-dialogo-da-sustentabilidade--bp--183--np--1.html

quarta-feira, 22 de junho de 2011

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM SUSTENTABILIDADE PARA O SEMI-ÁRIDO

Reg. number
Student
2011200504
ALISON CLEIBER DA SILVA CUNHA
2011200943
ANA PATRÍCIA DOS SANTOS MARIANO
2011200513
ANA TALITA DE MACEDO SILVA
2011200522
CARLINEIDE JUSTINA DA SILVA ALMEIDA
2011200531
CÉLIA MARIA MEDINO GRILO
2011200540
CINARA RIBEIRO DAMASCENO DANTAS
2011200550
CREUZA BATISTA PEREIRA
2011200952
DAMIANA PEDRO DA COSTA CAVALCANTE
2011200569
ELAINE GRAZIELLE GONÇALVES ALVES
2011200961
ELIANA DE SANTANA ARAÚJO
2011200970
ELVIRA PEREIRA DE ARAÚJO
2011200980
EVANILSON DA SILVA BERTULEZA
2011200578
FRANCISCA DAS CHAGAS DA SILVA
2011200999
FRANCISCA EDILMA ASSUNÇÃO DE CARVALHO
2011200587
FRANCISCA GILMA COSTA ASSUNÇÃO
2011200596
FRANCISCA VERA MARTINS DE AZEVEDO
2011200602
FRANCISCO CANINDÉ DANTAS DE MEDEIROS
2011200611
GASPARINA MARIA GONÇALVES
2011200620
GERALDA AIRLES BEZERRA DE SOUZA
2011200630
GIVALDA MACÊDO GONÇALVES
2011200649
IENILTON ALVES GURGEL
2011200658
IRES DO CÉU MONTEIRO DE AQUINO (MARIANO)
2011200676
JACQUELINE FABIANA MARTINS PESSOA
2011201000
JAILMARA KARLA CAVALCANTE DOS SANTOS
2011200667
JANAINA CHEILA MONTEIRO PALHARES DE SOUZA
2011200685
JONILDO PESSOA DE MORAIS
2011200694
JOSÉ EMERSON BATISTA PEREIRA
2011200700
JOSEFA FRANCISCA BEZERRA GRILO
2011201010
JOSEFA LOPES GALVÃO GIMINIANO DA SILVA
2011200710
JOSIMARA BEZERRA DE OLIVEIRA
2011200729
JOZELMA MARTINS DOS SANTOS
2011200738
KÁTIA SUZANA CUNHA FERREIRA
2011200747
LINDNEIDE DANNYELLE MARIA LUZZIARA ARAÚJO DE MELO MEDEIROS
2011200756
MARCELO DE OLIVEIRA ARAÚJO
2011201029
MÁRCIA MARIA ASSUNÇÃO BRAGA COSTA
2011200765
MARGARIDA HERMÍNIA DA SILVA
2011200774
MARIA ALICE DA COSTA AVELINO DA SILVA
2011200783
MARIA DA SALETE ALVES
2011200792
MARIA DAS GRAÇAS CESÁRIO
2011200809
MARIA DAS GRAÇAS TRINDADE
2011202760
MARIA DO DISTERRO HOLANDA DE NOGUEIRA
2011200818
MARIA JOSÉ DE ARRUDA CÂMARA ARAÚJO
2011200827
MARIA JOSÉ DE LIMA COSTA
2011200836
MARIA MARGARETE DA COSTA MACEDO
2011201038
MARIA TEREZA DE MELO BARACHO
2011200845
MARÍLIA DANTAS RODRIGUES DE ALBUQUERQUE
2011200854
MARIO RODRIGUES DA SILVA
2011200863
MARTA GOMES CÂMARA DE ARAÚJO
2011201987
MICHELINE MACEDO TORRES RODRIGUES
2011200872
NÚBIA MARIA DA SILVA SOUZA
2011200881
PAULENIZE DE MELO LIMA
2011200890
RAQUEL RIBEIRO BARBOSA
2011200907
ROGÉRIO MAGNO RIBEIRO DA COSTA
2011201047
ROSA NEIDE MEDEIROS DANTAS DA SILVA
2011200916
SIMÃO PEDRO DA SILVA
2011200925
SIMÁRIA DO SOCORRO CRUZ
2011200934
VANESSA KAROLINE MARIA ASSUNÇÃO
57 Studens available